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Um publicitário brasileiro
em Londres

Por Yami Trequesser



Lino Ribolla não sabia muito bem o que fazer da vida. Cursou faculdade de arquitetura, mas logo no início descobriu que estava na área errada. Acabou caindo num projeto de arte feita por computador e seguiu nesse caminho até se tornar Diretor de Criação. Hoje dirige o departamento criativo da Ogilvy Interactive em Londres. No perfil abaixo ele conta como isso aconteceu.


Fiz arquitetura na FAO (SP) porque envolvia arte e ao mesmo tempo seria uma profissão segura. Logo descobri que não era bem isso que eu queria, mas resolvi seguir em frente. Ao me formar, trabalhei com uma professora da faculdade num projeto sobre arte e tecnologia. E foi assim que ganhei contato com arte por computador, que naquela época estava apenas começando. Comprei um computador e passei a procurar formas de usar a máquina para fins artísticos.

Apresentei meus trabalhos no Salão Paulista de Artes Plásticas, que foi um dos primeiros a aceitar artes computadorizadas. Eu e uns amigos também vencemos num concurso para fazer a decoração do carnaval de São Paulo.

Numa dessas cargas d’água, um amigo meu da faculdade disse que ia trazer o Décio Pignatari – professor de Semi-Ótica da FAO e da ECA – para ver meus trabalhos. Ele viu e me deu um conselho: Mozart dava aula para poder sobreviver. Não fui dar aula, mas comecei a vender ilustração pra agências. E ai a coisa passou a andar.

Por intermédio de uma professora da faculdade fiz uma entrevista pra trabalhar na revista Playboy. Depois de 1 ano e meio na Playboy fui convidado pra ser diretor de arte de um especial da revista Globo Rural, da Editora Globo.

Fiquei 1 ano e meio na Globo. Só que chegou uma hora que a história de fazer arte por computador pifou, por causa da reserva de mercado. Não tinha mais como ter acesso a equipamento. Decidi que era hora de sair do Brasil ou eu ficaria para trás na profissão – assim apliquei e ganhei uma bolsa do CNPQ.

Fui pro Pratt, em Nova Iorque, fazer mestrado de Artes em Computação Gráfica. Foi ótimo porque tive acesso ao que tinha de melhor na área. Terminei o curso em Maio de 1990 e o pessoal do Pratt me convidou para dar aula – duas por semana – no curso de Computação Gráfica. Eu sabia que em algum momento teria que voltar pro Brasil por causa da bolsa. Como só tenho passaporte brasileiro, meu visto era de estudante com licensa de practical training – que me permitia trabalhar em qualquer lugar dos EUA durante 18 meses.

Em Dezembro de 1991 recebi uma proposta para voltar ao Brasil e trabalhar na reforma gráfica da editora Globo, começando a implantar os computadores gráficos. O período do jornal era bom, o econômico do país é que não era. Quando a reforma já estava praticamente feita, a TV cultura me procurou para saber se eu queria trabalhar na TV - isso foi em Junho 1993. Trabalhei no castelo Ra-Ti-Bum, na vinheta de 25 anos da Cultura e o último trabalho que fiz foi o novo design das chamadas dos programas.

Era 1994, época do caos econômico, inflação de 2000% ao ano. Mesmo assim, decidi comprar um apartamento na planta. Mas lá pelas tantas tinha uma cláusula que fez a prestação do apartamento subir mais que a inflação, aí ficou impossível de pagar. Foi a minha crise econômica pessoal. Eu não precisava passar por aquilo, tinha os contatos nos Estados Unidos, uma tênua esperança de conseguir um emprego e foi assim que me dei conta que não acostumava mais com o Brasil – mesmo tendo passado quase 3 anos lá.

De contato em contato descobri que tinha um emprego pra ser diretor de CD-ROM, numa das empresas quentes da época, a Music Pen. Seis meses nesse trabalho e uma amiga me liga para dizer estava trabalhando numa agência chamada Modem Midia com algo chamado Internet e me pergunta se não quero trabalhar lá. Eles tinham acabado de ganhar a conta da AT&T. Aceitei. Ficávamos até tarde todos os dias. Era meio espírito de conquista e de descoberta.

Um dos meus primeiros trabalhos na Modem Midia virou capa do New York Times. Era um website da AT&T e tinha como objetivo usar a Internet pra deixar os usuários experimentarem o produto, um pager. Os visitantes entravam no site e podiam escrever uma mensagem, que apareceria na tela do aparelho. Foi o maior sucesso, pois as pessoas passaram a usar a página como sala de chat.

Em Abril de 2001 fui transferido para o escritório de Paris. No final de 2001 o escritório fechou e fui mandado para Londres, mas não tinha certeza que queria ficar, então, passava final de semana em Paris, pois minha família morava lá, e a semana em Londres – foi assim durante 6 meses. Pelo menos ganhei um bocado de milhagem!

O pessoal da Ogilvy Interactive de Nova Iorque tinha tentado me contratar em 1999, só que não deu certo. No começo de 2003 a Ogilvy Londres me fez novamente a proposta e aceitei ser Diretor de Criação. Já estou aqui há quase 3 anos e agora chegou a hora de voltar para Nova Iorque. Minha filha esse ano vai entrar na Secondary School, e o preço das mensalidades aqui em Londres são assustadores. Vou ser transferido para a Ogilvy NY em Setembro.

O escritório da Ogilvy em Nova Iorque contratou várias pessoas da Ogilvy São Paulo. Acho que primeiro porque o padrão de publicidade do Brasil sempre teve alto conceito, a gente tem uma tradição de publicidade de qualidade. Segundo, por causa dos percalços que os profissionais brasileiros têm que enfrentar no dia a dia, eles ficam mais maleáveis e conseguem se adaptar mais facilmente que os outros profissionais.

O mercado de trabalho hoje é tão global, que a coisa do passaporte e a nacionalidade são secundárias. Quando procuro alguém para contratar, a última coisa que vejo é a nacionalidade. Geralmente uso agências e aqui em Londres tem umas 3 ou 4 que todo mundo da área usa:

• Gabriele Skelton - http://www.gabrieleskelton.co.uk/
• Majorplayers - http://www.majorplayers.co.uk/
• Devonshire - http://www.devonshire.co.uk/
• LBHR - http://www.lbhr.com/media
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