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Correndo contra o relógio

por Lucila Runnacles
Maio/2006

Você já deve ter notado que em Londres boa parte dos couriers, também
conhecidos como motoboys, são brasileiros. Basta parar em algum sinaleiro e lá estão eles, dar uma volta pelo centro da cidade e vemos mais uma centena. Mas o que muita gente não sabe é que para ser um deles é preciso muita garra, força e disposição; fazer entregas não é tão fácil quanto parece.

Documentos, malotes, caixas, cartões de crédito, encomendas, pedidos urgentes, o que for, não importa. De um lado ao outro de moto, bicicleta ou van eles dão um jeito de cumprir com o prazo. Acordam bem cedo para mapear a rota que farão durante o dia, enfrentam temperaturas baixas no inverno, muitas vezes nem tempo para almoçar têm. Final de tarde de volta à empresa para o reporte final e corre pra casa descansar porque no dia seguinte começa tudo de novo.

A média salarial é boa, trabalhar ao ar livre e não ter chefe no pé ajuda. Mas em contrapartida o frio, a chuva, o trânsito pesado e a falta de conhecimento das ruas são alguns dos piores inimigos. É o que dizem aqueles que se aventuram pela capital britânica para fazer os mais diversos tipos de entrega.

O catarinense Ricardo Simonato é um deles, há quatro anos trabalha como courier em Londres. No começo não foi fácil, sofreu para se adaptar ao clima, conhecer as ruas e aguentar a longa jornada de trabalho. "Já peguei neve em cima da moto no meio da auto-estrada, não é qualquer um que consegue aguentar o tranco pesado da profissão. Tem que ter muita força de vontade para trabalhar em média 10 horas por dia", conta.

Segundo Simonato no começo é preciso perseverança pois nos primeiros meses muitas vezes não dá pra fazer dinheiro extra pois, o investimento é grande. As despesas são muitas; a compra da moto, combustível, seguro para motoboy (que é obrigatório) e roupas especiais para enfrentar o frio e a chuva são alguns dos gastos necessários para quem pensa em entrar no ramo.

Uma dica para adquirir experiência e não gastar tanto no início é procurar trabalho como motoboy em restaurantes que façam delivery. "A maioria das pizzarias, restaurantes chineses e outros estabelecimentos fornecem as motos. O que acaba sendo uma maneira de ir conhecendo algumas partes da cidade sem a grande pressão do dia-a-dia do courier", explica.

Já para trabalhar nas grandes empresas do ramo as exigências aumentam, além da experiência eles pedem a carteira de motorista inglesa, a full driving license. Os testes teóricos e práticos devem ser feitos na Inglaterra, tanto para moto quanto para carro. Mas se você acha isso difícil, ainda há uma saída para quem não tem e não quer tirar a carteira aqui, mas quer fazer entregas. Existem algumas empresas onde os couriers trabalham de bicicleta.

Há dois anos Roberta Vasconcelos faz entregas pelas ruas de Londres e tem dias em que chega a pedalar mais de 20 km por dia. Além de uma boa bicicleta, o preparo físico deve ser grande e ter conhecimento das ruas também ajuda. Embora isso possa ser adquirido com o tempo.

Apesar das dificuldades ela diz ter escolhido a profissão pela expectativa
de um bom salário. "A maioria dos couriers ganham por entrega, o salário depende do acerto que cada companhia faz, mas em média dá pra tirar de £350 a £500 por semana", conta.

Roberta também adverte àqueles que querem se aventurar na profissão a ter muito cuidado e paciência com o trânsito londrino. "Eu já fui atropelada uma vez e também já atropelei um carro. Uma van parou de repente e eu não tive tempo de freiar. Resultado, fiquei em casa por uma
semana com o braço enfaixado sem poder me mexer, mas por sorte não cheguei a quebrar nada", relembra.

Links úteis;

Agências de empregos para courier

www.ecourier.co.uk

www.citysprint.co.uk

Full driving license (carteira de motorista inglesa)


www.dvla.gov.uk

 

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