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Segurando placa e a onda em Londres

Inglês básico, trabalho fácil e flexibilidade de horários atraem brasileiros num dos trabalhos menos remunerados em Londres

por Val Oliveira
Setembro/2006

“A gente ganha mal, mas se diverte”. O popular e brasileiríssimo cliché define perfeitamente uma das atividades mais curiosas da capital inglesa. Chamados de “borderman” ou “borderguy”, os seguradores de placas estão em todas as esquinas londrinas, e o território é dominado pelos brasileiros. Os poloneses também marcam presença, mas uma caminhada pela Oxford Street e lá estão eles: segurando placa, batendo papo, acompanhando o vai e vem dos londrinos e turistas e garatindo a sobrevivência na quinta cidade mais cara do mundo.

Visto por muitos apenas como um ganho extra, é nesse ramo que muitos brasileiros começam a vida quando desembarcam em Londres.  “Foi pela questão de sobrevivência mesmo. Fico meio envergonhado, porém, tenho que pagar o aluguel” revela o motoboy paulista Maurício. Há apenas três semanas na area, ele já pensa em mudar de ramo. “São 4 horas diarias em pé, sem conversar com niguém, só acompanhando o movimento” complementa.

Se para Maurício a pior parte do negócio é a monotonia, o mineiro Eduardo Boy afirma não ter muito tempo para ficar  entediado durante as seis horas diárias que enfrenta de segunda a sexta. “Faço muitos contatos, vivencio muitas situações engraçadas e dou muitas informações. Poderia até ser guia turístico aqui. É divertido. Eu até que gosto”.

Primeira oportunidade de emprego para quem está chegando
O DJ Daniel Barros, de Ilha Bela, há dois meses dividindo a placa com um amigo (ele trabalha dois dias e o amigo outros 3) encarou o desafio no intuito de se estabilizar e pagar as contas. Para ele, apesar dos prós e contras, é uma ótima opção para quem está começando a vida por aqui, principalmente para aqueles que precisam encarar a barreia da língua. “O trabalho é fácil, não exige inglês fluente e é o melhor caminho para fazer amigos. Porém, é preciso muita paciência. A hora parece que não passa”.

As vantagens
O ramo é fechado, paga pouco e exige disposição. São 4, 5, 8 horas em pé, segurando a placa que varia de tamanho e peso, embaixo de um sol de 30 graus (quando o verão resolve dar o ar da graça) ou no tradicional inverno chuvoso e gelado de Londres. O salário máximo pago é de £5,05 a hora, e é para poucos. A maioria dos "borderguys" recebem £4 a hora e trabalham 6 dias por semana. Apesar do baixo salário, a flexibilidade de horários e a liberdade para trabalhar sem pressão e sem chefe são certamente os fatores que agradam os borderguys. "Trabalho seis horas por dia, mas sempre que acho algo extra para fazer ou estou doente, coloco um amigo no meu lugar. Então, nunca perco o emprego. É um fixo que posso conciliar com outras atividades, levantando uma graninha extra", diz o paraibano Tubal Brandão". "Minha vida não está aqui mesmo, só preciso de uma grana para me manter por um tempo, então esse emprego é perfeito" afirma o torneiro mecânico italiano, Dario Petrocchio.

De olho no movimento e na polícia
Segurando placas gigantes e coloridas nas esquinas mais movimentadas da capital inglesa, os borderguys não passam despercebidos pela multidão, muito menos pela polícia. Não é preciso licença para exercer essa atividade, porém, é preciso seguir algumas normas. A principal exigência é a presenca do borderguy ao lado da placa. A mesma é apreendida se encontrada apenas amarrada ou encostada no poste. Uma fugidinha rapida pode custar o emprego do borderguy. De acordo com Tubal Brandão, eles são também abordados frequentemente pela imigração. Então, cópia do passaporte com visto válido no bolso e um inglês básico são obrigatórios na rotina dos borderguys.

Agência Oxford Street
Para quem quer se aventurar nessa área, o ditado "quem tem boca vai a Roma" é a chave do sucesso. Como não existe agencia recrutadora nessa ativididade, o trabalho é fechado diretamente entre empregador (loja, restaurante, salão, operadoras de câmbio, etc) e o borderguy. A dica é estar atento em novos estabelecimentos e oferecer o serviço. Uma passada diária na Oxford Street, "o coração do negócio" é bem vinda, além de ser o caminho mais rápido. "Nós sempre sabemos quando e onde tem placa sobrando. Nós somos a agência basicamente, o lance é vir aqui todo dia e perguntar", afirma Tubal. O ramo é certamente seleto, exige contatos e cara de pau para perguntar. Uma boa conversa pode não te levar a Roma agora, mas pode certamente garantir o orçamento do mês. Good luck!

 

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