Por
Paula Góes
A profissão
de destaque deste mês é uma
que, literalmente, dá muito
pano pra manga!
Dizem que uma boa
costureira já nasce feita, e
não precisa nem de curso de
corte e costura para desenvolver um
estilo próprio. Pelo menos,
foi assim com Maria Beatriz Ferreira,
que começou ainda criança
fazendo roupas para bonecas, e aos
15 anos de profissão já era
uma das mais requisitadas na região
onde morava, Paratinga, MG. Aos 35
anos, a costureira deu uma reviravolta
na vida ao vender o que tinha no Brasil,
pegar os dois filhos e se juntar ao
marido, que já há algum
tempo estava morando em Londres.
Em apenas quatro meses
por aqui, a Bia, uma mineira simpática
e sorridente, já se vê perto
de realizar o sonho de fazer também
em Londres o que ela mais gosta: viver
rodeada de costuras. “No início,
eu não tinha nada, então
comecei a fazer cleaner em construção
até comprar minhas máquinas”,
conta ela. Máquinas compradas,
duas semi-industriais melhores do que
ela tinha no Brasil, é hora
de arregaçar as mangas. Ela
ainda está a procura de um emprego à noite,
enquanto não dá para
viver das costuras, mas talvez nem
dê tempo de achar um, pois as
encomendas estão começando
a aparecer.o a aparecer.
Ela conta contente
como, sem falar quase nada de inglês,
conseguiu deixar uma cliente italiana
muito satisfeita. A mulher encomendou
um vestido e saiu de lá dizendo
que iria recomendar o trabalho de Bia
para todas as amigas. “O engraçado é que
eu não entendia direito o que
ela queria, ia enrolando daqui, enrolando
dali, sugeri o modelo, ainda fiz um
colar combinando e acabou que ela saiu
toda feliz.” Feliz, também,
com o preço, quase metade do
que gastaria se tivesse comprado o
vestido em uma loja.
Uma coisa engraçada
aconteceu na primeira aventura pelas
lojas com a missão de comprar
linha. Coisinha simples de fazer no
Brasil, mas aqui foi uma dificuldade. “Eu
sabia que linha em inglês era
line, e eu pedia uma “line” para
a balconista, mas ela não entendia
nada do que eu estava falando.” Depois
de muito explicar, ou melhor, apontar,
ela chegou à conclusão
de que o que Bia estava tentando comprar
era “cotton”, como se chama
em inglês. Aliás, o nome
da profissão aqui é “dressmaker”. “Essa
palavra eu aprendi quando ainda estava
no Brasil, rezando para que desse certo
de eu vir para cá e trabalhar
na coisa que mais gosto”, conta.
Vale a pena
O trabalho de costureira
em Londres, em parte, porque pouca
gente o exerce por aqui, é mais
valorizado que no Brasil. Enquanto
lá os tecidos e acessórios
são bem caros, em Londres os
mais variados tipos de panos podem
ser encontrados por um preço
bem em conta. Desse jeito, enquanto
normalmente o trabalho de costurar
a roupa sai pelo mesmo valor dos gastos
com o pano no Brasil, em Londres dá para
aumentar o preço um pouquinho,
valorizando a mão-de-obra. “E
ainda sai pelo menos três vezes
mais barato que na loja”, acrescenta
Bia. Ou seja, satisfação
garantida para os dois lados.
Só é um
pouco difícil achar malha, e
alguns acessórios, como o ziper
invisível, são impossíveis
de ser achado por aqui, mas isso não é problema
para ela, que já identificou
a carência e vai encomendar do
Brasil. Do mesmo modo, para não
ficar defasada das tendências
brasileiras, Bia também está trazendo
revistas de moda periodicamente. “Eu
acompanho tudo o que acontece, aqui
e lá, olho todos os desfiles.”
A especialidade dela
são os vestidos de noite e roupa
feminina, mas ela faz qualquer coisa
que se encomende, de reformas até bordados.
Ela ainda topa até ir à loja
com o cliente para dar uma olhada nos
modelos e fazer igualzinho. “Mas
eu gosto de escolher o tecido pessoalmente”,
deixa bem claro, para assegurar que
o resultado vai estar dentro dos padrões
de qualidade dela. O preço depende
do modelo, assim como o prazo de entrega
depende do agendamento, mas conta para
isso a pressa do cliente.
Para quem pensa seguir
a profissão por aqui, outra
opção, além de
formar uma clientela particular, é ainda
procurar emprego em lojas de pronta-entrega
ou boutiques. Mas tem que ser versátil.
Só para lembrar, Londres é um
lugar onde todo tipo de moda acontece!
Contatos:
A Bia atende pelos
telefones 0208 221 0481 e 079 8543
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