O
incontrolável
sucesso do Sudoku
por Yami Trequesser
Há alguns meses, a Inglaterra
foi invadida por um quebra-cabeça
de números chamado Sudoku (pronuncia-se
Súdôku). No metrô,
no banco da praça, no ônibus,
no parque, para qualquer lugar que
você vira tem alguém jogando.
O Sudoku é uma espécie
de palavra-cruzada, na qual o jogador
deve completar cada coluna, linha e
box com os dígitos de 1 a 9
(existe também uma versão
com as letras do alfabeto), sem deixar
que eles se repitam. Parece simples,
mas não é.
“É por isso, que está todo
mundo viciado nesse jogo. Parece fácil
colocar os números em ordem,
sem repeti-los, mas é muito
difícil. No meu primeiro Sudoku
passei quase 2 horas para finalizá-lo
e só consegui parar quando acabei”,
explica a brasileira Abigail Luisa.
Não há uma ordem exata
para preencher o Sudoku, pode-se começar
de qualquer linha ou coluna, mas cada
jogo tem so uma resposta certa.Segundo
os mais entendidos no assunto, prática é o
essencial. “Da primeira vez que
tentei um Sudoku demorei 1 hora para
chegar ao resultado. Aí comprei
um livro e diariamente, durante a viagem
de metrô para o trabalho, eu
fazia alguns. Agora já consigo
terminar um do nível médio
em 20 minutos”, conta o espanhol
Angel Miguel.
O site oficial www.sudoku.com ensina
alguns macetes, como marcar com um
círculo os números que
se repetem bastante e escrever no cantinho
dos quadrados em branco todas as opções
de números que podem se encaixar
ali. Existem 4 níveis de dificuldade – fácil,
médio, difícil e super-difícil – e
a diferença entre eles é a
quantidade de números oferecidos
em cada jogo.
E como surgiu?
O primeiro conceito do Sudoku foi
criado no século XVIII pelo
matemático suíço
Leonhard Euler e recebeu o nome de
Quadrados Latinos. Ninguém sabe
direito de onde vem esse nome. Alguns
acreditam que seja pelo fato de os
latinos perderem a paciência
muito rapidamente e o mesmo acontecer
quando alguém se aventura nesse
jogo.
Quando Euler perdeu a visão
devido a catarata, ele passou a desenvolver
a capacidade de fazer contas de cabeça
com grandes números, além
do talento de criar quebra-cabeças.
O mais famoso deles eh o das Pontes
de Konigsberg; na cidade alemã de
Konigsberg sete pontes ligam duas ilhas
e a terra firme. É possível
explorar a cidade cruzando cada uma
das pontes, mas sem cruzar nenhuma
delas duas vezes? A resposta está no
final dessa matéria.*
Os Quadrados Latinos ficaram aparentemente
esquecidos até os anos 70, quando
uma empresa americana redescobriu o
jogo e lançou-o no mercado com
o nome de Lugar dos Números,
com pouco sucesso.
Alguns meses depois do lançamento,
em viagem de trabalho aos Estados Unidos,
Nobuhiko Kanamoto, que trabalhava para
uma empresa japonesa de quebra-cabeças,
ficou fascinado com a palavra-cruzada
de números e levou-a para o
Japão. Aparentemente é muito
complicado criar palavras-cruzadas
com a língua japonesa, o que
faz do jogo de números um sucesso.
Dito e feito. O jogo foi primeiro introduzido
no mercado japonês com o nome
de “suuji wa dokushin ni kagiru”,
que significa “o número
que é limitado somente para
não casados ou solteiros”.
Esse palavrão foi logo abreviado
para duas simples palavras “Su”,
que significa “número” e “Doku”,
que é “único”.
Atualmente, as 5 revistas de Sudoku
do país têm juntas uma
circulação de 600 mil
exemplares por mês.
Mas foi através de um juiz
aposentado da Nova Zelândia que
o jogo ficou famoso mundialmente. Durante
suas férias no Japão,
Wayne Gould, 59 anos, resolveu visitar
uma livraria, mesmo sem falar um ‘ai’ em
japonês. No meio de várias
revistas e jornais, todos em língua
local, Gould deu de cara com uma revistinha
de Sudoku. Fã incondicional
de quebra-cabeças, comprou um
exemplar.
Na época ele morava em New
Hampshire, Estados Unidos. Gould rebatizou
o jogo de Sudoku, como sendo uma palavra
só, e, usando seus conhecimentos
de informática criou um software
para produzir templates do jogo. Em
setembro de 2004, ofereceu o Sudoku
para o Conway Daily Sun, jornal de
New Hampshire, que prontamente aceitou
a proposta. “É da natureza
dos seres humanos gostar de quebra-cabeças.
Eu adoro, e assim achei que todo mundo
fosse gostar também. Por isso,
decidi comercializar o Sudoku”,
explica Wayne Gould, em entrevista
exclusiva para o Oi Londres.
A febre se espalhou pelo mundo. Atualmente,
o jogo é publicado em jornais
de 25 países e dois dos seus
livros de Sudoku estão na lista
dos 10 mais vendidos no Reino Unido.“A
sorte maior é que nenhuma empresa
do mundo retém os direitos sobre
o nome ou o jogo. Nem mesmo a empresa
que lançou-o com o nome de Lugar
dos Números. Sendo assim, não
preciso pagar direitos autorais a ninguém.”
Além da versão em papel,
existe Sudoku para computador (PC e
Macintosh – veja links no box
abaixo) e para celular, mas apenas
para usuários do Reino Unido,
pelo momento. “Me aposentei para
ter mais tempo livre e, depois do jogo,
estou mais ocupado que nunca. Recebo,
pelo menos, 2 mil emails por dia com
perguntas de jogadores”, conta.
“Estamos fazendo pesquisas para
lançar o jogo para celular em
outros países, inclusive no
Brasil, mas nenhuma data foi marcada
ainda. O Sudoku também já foi
levado para a TV pela produtora Hanrahan,
que colocou no ar 1h de Sudoku na SkyTV.
Por todo esse sucesso, vou continuar
investindo meu tempo no Sudoku, jogando
e vendendo”, finaliza.
* A resposta para o quebra-cabeça
das Pontes de Konigsberg é não.
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