Brixton
Numa
cidade multicultural como Londres, são poucas as regiões
que conseguem se destacar por sua diversidade
além da média. Brixton,
no sul da cidade, certamente é uma
delas.
Numa cidade multicultural como Londres,
são poucas as regiões
que conseguem se destacar por sua diversidade
ainda maior que a média. Brixton,
no sul da cidade, certamente é uma
delas. Área com uma grande concentração
de imigrantes, artistas e estudantes,
Brixton vem atraindo cada vez mais
moradores das outras regiões
da cidade em busca de sua eclética
gama de opções culturais
e de lazer.
Não faltam motivos para dar
um passeio por Brixton, seja de dia
ou de noite: seus vibrantes mercados
(um dos poucos lugares da cidade onde
se pode encontrar uma grande variedade
de frutas tropicais), o aconchegante
cinema Ritzy, com sua programação
variada, o tradicional Brixton Academy,
com seus shows e festas memoráveis,
e muitos, muitos pubs e restaurantes
com sabores de todas as partes do mundo.
A “efervescência” de
Brixton pode ser sentida já ao
se colocar os pés no bairro,
saindo da estação no
metrô, pela Brixton Road. Ao
movimento intenso da avenida, dia e
noite, se misturam pastores pregando
de bíblia na mão a gente
vendendo drogas, numa disputa pela
atenção (e pelo ouvido)
dos transeuntes. Mas Brixton não é só confusão,
e um passeio por suas ruas e vielas
pode trazer surpresas agradáveis.
Em alguns cantos, é possível
se sentir em plena Kingston, na Jamaica,
sem sair de Londres.
A cara atual do bairro é nova,
mas a história de Brixton é milenar.
Arqueólogos já encontraram
vestígios de presença
humana na região desde os tempos
do Império Romano. O nome do
bairro é derivado de Brixistane,
nome saxão pelo qual era conhecido
o povoado então localizado às
margens do rio Effra, afluente do Tâmisa
hoje canalizado e coberto pelas ruas
que cortam a região.
Até o século 17, a região
era um pântano pouco habitado
e utilizado principalmente para a agricultura.
O desenvolvimento veio com a Revolução
Industrial e os trens que ajudaram
a encurtar as distâncias entre
o bairro e o centro da cidade. Em 1880,
Brixton ganhou a primeira rua iluminada
por luz elétrica em todo o Reino
Unido. Até hoje, essa rua é conhecida
como Electric Avenue (onde fica também
o Brixton Market).
Brixton começou a se transformar
no que é hoje nos anos 1940
e 1950, com a chegada de levas de imigrantes,
principalmente das ex-colônias
britânicas no Caribe. A mistura
cultural deu nova vida à região,
então em decadência.
Desde então, Brixton passou
a ser sinônimo de diversidade,
de eferverscência cultural e
de uma das mais procuradas noites londrinas.
Brixton tem também seu lado
obscuro. O bairro tem uma das mais
altas taxas de desemprego da cidade,
e é também um dos mais
violentos (nada que se compare às
grandes cidades brasileiras, porém...).
As tensões sociais e o preconceito
racial contra a população
majoritariamente negra deram origem
a uma onda de saques e choques entre
moradores e a polícia a partir
do fim dos anos 1970. O maior tumulto
aconteceu em 1995, quando 22 pessoas
acabaram presas e três policiais
ficaram feridos após mais de
cinco horas de violência e depredação.
Novos saques voltaram a ocorrer em
2001. Alex Owolade, líder do
grupo anti-racismo Movement for Justice,
disse que a violência era uma
rebelião contra anos de “injustiça
racial” pela polícia em
uma área empobrecida e tomada
pela tensão racial.
Em 1999, o Brixton Market, na Electric
Avenue, foi alvo de um atentado com
uma bomba de pregos que matou um bebê de
1 ano e 11 meses e deixou 40 pessoas
feridas. Um engenheiro de 24 anos que
admitiu ser neonazista foi condenado
pelo ataque e por outras duas bombas
colocadas em Bricklane (local de grande
concentração de imigrantes
indianos e paquistaneses) e em um bar
frequentado por gays no Soho.
Em 2001, a região de Brixton
serviu de laboratório para uma
experiência que neste ano passou
a ser adotada em todo o Reino Unido:
a polícia deixou de perseguir
consumidores de maconha para se concentrar
nos traficantes de drogas pesadas e
em prevenir e solucionar os crimes
mais graves. A experiência deu
resultado: segundo as estatísticas
policiais, em seis meses o número
de roubos e assaltos na região
caiu praticamente à metade,
e as prisões de traficantes
subiu 19%.
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