Novas
regras para vistos afetam brasileiros
Mudanças devem impedir troca de visto de turista para de estudante e
limitar tempo de permanência como estudante; também ficará difícil
regularização após casamento
Desde 2002, o governo britânico
vem implementando mudanças na
legislação de imigração visando “fechar” todas
as portas existentes aos imigrantes ilegais e também dificultar a
vida de quem está legal e quer renovar seu visto.
Com as últimas
mudanças anunciadas na última
semana de julho pelo ministro do Interior,
David Blunkett, vai ficar impossível
fazer o que muitos dos brasileiros que
entram no Reino Unido fazem: sem escola
paga, recebem visto de turista nos portos
de entrada e trocam pelo de estudante perto
do prazo de vencimento. Também serão
desautorizadas as trocas de qualquer outro
tipo de visto pelo Work Permit ou High
Skills Migrant Programme.
“ Nossas propostas
para prevenir imigrantes temporários
trocar por outra categoria em termos de
visto é uma forma de fazer uma clara
distinção entre rotas de
imigração temporárias
e permanentes”, afirmou Blunkett
durante pronuncionamento no Parlamento
no dia 22 de julho.
Buscas pela policia de
imigração, bem como checagem
em metrôs, ônibus e empresas/fábricas,
também têm sido feitas com
intuito de se fazer uma “limpeza” nas
pessoas ilegais (seja por não terem
visto, seja por estarem trabalhando mais
do que o permitido pela lei, no caso dos
estudantes).
As mudanças recentes
alteram as regras para quem quer obter
visto por casamento com britânico
ou visto por casamento com europeu. Além
disso, também está em estudo
no Parlamento a limitação
dos vistos de estudante para no máximo
2 anos e a proibição da mudança
de visto de turista para visto de estudante.
Uma outra mudança em estudo deve
afetar a concessão de vistos para
ministros de religião (padres, pastores,
etc.).
Vistos de estudante
Com o visto de turista,
o cidadão só vai poder requisitar
permissão de permanência como
estudante se o curso em questão
for de nível superior. A justificativa é clara:
prevenir que pessoas que garantam deixar
o país no fim das férias
se matriculem em uma escola privada de
baixo nível e peçam visto
de estudante, que dá direito a trabalho.
Do mesmo modo, o tempo limite do visto
de estudante, que atualmente é de
quatro anos, vai ser reduzido para dois
anos, a menos que o curso seguinte seja
também de graduação.
Ao mesmo tempo, uma blitz
contra escolas de inglês de natureza
suspeita já está em prática.
Até o momento, 672 escolas suspeitas
foram visitadas pelo Home Office, sendo
que apenas 178 foram consideradas genuínas.
Das outras, 195 foram consideradas “dodgy” (não-confiáveis)
e outras 299 estão ainda sob investigação.
Não foi divulgada nenhuma lista
dessas instituições.
Por outro lado, aquelas
profissões que são necessárias “para
o crescimento do Reino Unido” vão
ter tratamento especial. Estudantes internacionais
de Matemática, Ciências e
Engenharia vão ter um ano de direito
a trabalho por doze anos depois da graduação
através do “Science and Engineering
Graduate Scheme”, a ser implementado
em outubro. Mas para isso o curso deve
ser feito no Reino Unido.
Essas mudanças
aguardam ainda não estão
em vigor, mas aguardam aprovação
pelo Parlamento Britânico.
[topo]
Casamento com
britânicos
Uma das primeiras mudanças
importantes que afetaram a comunidade brasileira
foi com relação ao casamento
de estrangeiros com britânicos. Considera-se
britânico qualquer pessoa nascida
na Inglaterra, no País de Gales,
na Irlanda do Norte ou na Escócia.
Desde abril de 2003, a
regra para quem quer se casar com britânico é que
a pessoa (se não for cidadão
da União Européia) deve se
casar com o britânico no seu país
de origem ou entrar no Reino Unido com
um visto de noivo/a, previamente obtido
também no seu país de origem.
A única exceção é para
quem já tem visto com validade superior
a 6 meses (voltaremos a esta exceção
mais abaixo).
Assim, na prática,
as pessoas ficaram quase impossibilitadas
de se casar com britânicos já estando
dentro do Reino Unido e foram obrigadas
a voltar aos seus países de origem
para realizar o casamento lá ou
obter o visto de noivo/a.
O visto de noivo/a é um
visto obtido com o fim específico
de a pessoa vir ao Reino Unido para se
casar no país. É válido
por 6 meses e não pode ser renovado.
Após a chegada no Reino Unido, a
pessoa deverá providenciar o casamento
e fazer posteriormente a mudança
para o visto de “spouse” (marido/esposa).
Se a pessoa decidir casar
no seu país de origem com a outra
parte britânica, ainda terá que
obter o visto de “spouse” antes
de pensar em retornar ao Reino Unido. Tal
visto é concedido pelo Consulado
da Inglaterra naquele país (no caso
do Brasil, no Consulado da Inglaterra no
Rio de Janeiro).
O visto de “spouse” também
foi alterado na mesma época e passou
a ser concedido por 2 anos, após
os quais pode-se pedir a residência
definitiva no país. Anteriormente,
o prazo para pedir a residência era
de 1 ano.
Sabemos que na prática
muita gente ainda conseguiu e consegue
se casar com britânicos. São
pessoas com visto de turista, ilegais ou
pessoas com o visto de estudante por 6
meses, que, em tese, não o poderiam
fazer mais no Reino Unido. Porém
alguns cartórios não observam
as regras do Home Office e realizam os
casamentos. Ainda assim, continua-se com
o problema de se obter o visto de “spouse” após
o casamento, uma vez que o Home Office
não é nada condescendente
e não concede os vistos. Uma vez
feito o pedido, ele será negado
e a pessoa será “convidada” a
voltar ao seu país de origem para
regularizar sua situação.
A exceção
a que nos referimos acima – as pessoas
que possuíam visto com prazo superior
a 6 meses – continua válida.
Assim, estudantes com visto de 1 ano ou
portadores de work permits (por exemplo)
podem se casar com britânicos no
Reino Unido e obter seu visto de “spouse” sem
precisar sair do país.
[topo]
Casamento com
europeus
Mais recentemente, em
julho de 2004, vimos uma outra alteração
da lei que de fato afeta e muito a comunidade
brasileira. Ela diz respeito ao casamento
com cidadãos da União Eurpéia
não-britânicos.
Uma saída muito
usada pela nossa comunidade para se legalizar é o
casamento com europeus (em geral brasileiros
com dupla nacionalidade ou portugueses).
Infelizmente, o Home Office percebeu esse
artificio (usado por várias comunidades,
não só a brasileira) e decidiu
fechar mais esta porta.
A mudança na legislação
trouxe a exigência de que para se
dar a notícia do casamento (“notice
of a marriage”) a parte que não
seja européia terá que provar
que tem um visto prévio (“entry
clearance”) específico para
o fim de se casar no Reino Unido ou tem
visto de noivo/a ou terá um outro
visto específico para casamento
ainda a ser implementado pelo Home Office.
Assim, brasileiros que
estiverem ilegais, com visto de estudante,
etc, não poderão se casar
no Reino Unido sem terem um visto prévio,
obtido no Consulado da Inglarerra no Rio
de Janeiro, autorizando-o a isto.
É bem verdade que
esta regra ainda não está sendo
aplicada, e, inclusive, pode acontecer
o mesmo que acontece no caso de casamento
com britânicos, queé o fato
de muitos cartórios do interior
não cumprirem tal regra e continuarem
casando as pessoas independentemente de
terem tal visto.
Além disso, no
caso de brasileiros se casando com brasileiros
com dupla cidadania, a possibilidade de
se casar no Brasil com procuração
continua válida e as partes não
precisariam deixar o país para fazê-lo.
Se uma das partes for somente estrangeira,
o casamento por procuração
continua possivel, porém mais trabalhoso,
uma vez que os cartórios no Brasil
exigem uma vasta documentação
do estrangeiro, inclusive tradução
juramentada, notarização
e consularização de tais
documentos.
É sabido que o
departamento do Home Office que cuida de
casos ligados a europeus (casamento, família,
etc.) é muito mais rápido,
menos burocrático e as leis são
mais flexíveis. Assim, acredita-se
que não criarão nenhum empecilho
se as partes tiverem se casado por procuração
no Brasil e estiverem fazendo o pedido
do visto.
Esta conduta não é certa,
mas na nossa opinião, salvo mudanças
posteriores na legislação,
isto ainda será possível.
Uma autorização especial pode ser conseguida diretamente com
o Home Office para casos excepcionais. Esta autorização normalmente
não será concedida a pessoas ilegais ou com visto de curta duração.
Nestes casos, o Home Office exigirá que a pessoa volte ao seu país
de origem e obtenha o visto prévio lá (igual ao caso de casamento
com britânicos).
[topo]
Ministros de religião
Duas observações
finais: está sendo também
revista a regra quanto à concessão
de visto a ministros de religião
(padres, pastores, etc). Testes de língua
inglesa serão aplicados nos candidatos
a tal visto, e a troca de visto de turista
para visto de ministro de religião
não será mais possível
dentro do Reino Unido. O candidato ou candidata
terá que voltar ao seu país
de origem e obter tal visto lá.
E portadores de visto
de trabalho chamados “Low Skilled
Migrant” (programa de vistos para
trabalhos de baixa qualificação)
ficarão totalmente impossibilitados
de trocarem de visto ou de emprego, sendo
obrigados a voltar aos seus países
de origem quando de seu término.
Fiquem atentos!!! As mudanças
são muitas e afetam a todos. Consulte
quem realmente poderá ajudá-los
a resolver seu problema da melhor maneira
possível.
[topo]
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