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Vestibular de Britanismo
Nova lei de imigração exige nível intermediário de inglês e conhecimento sobre a cultura e história da Grã-Bretanha para quem tenta se naturalizar

Por Paula Góes
Setembro/2005

Além de preencher formulários e enfrentar a burocracia, imigrantes em processo de naturalização vão precisar também mostrar que falam inglês e se sair bem em sabatina sobre a cultura britânica.

Você sabe a data de nascimento da Rainha Elizabeth I, o nome do Primeiro Ministro ou consegue declamar sem pestanejar trechos do hino nacional inglês? Parabéns, você tem grandes chances de passar no teste de cidadania, que a partir de novembro será uma das exigências para o processo de naturalização britânica. Isso quer dizer que, além de ter que saber falar inglês, imigrantes com pretensões à cidadania vão ter que provar também que são experts em matéria de “Britishness”. Ou pelo menos, que sabem tudo o que o Home Offfice pensa que você precisa saber sobre o assunto.

O teste aborda tópicos em conhecimento básico sobre vida no Reino Unido que vão desde as leis trabalhistas até história, cultura e costumes, passando ainda por atividades do dia-a-dia, como o pagamento de contas e taxas. O argumento é que o conhecimento da língua inglesa e da sociedade britânica deve melhorar o processo de integração.

O programa começou a se implantado em projetos pilotos em janeiro de 2004, apenas em algumas áreas de Londres. No mês seguinte, começaram a ser adotadas as chamadas cerimônias de naturalização, onde o requerente a cidadania faz o juramento de lealdade à pátria e à Rainha, pessoalmente e de pé, recebe as boas-vindas à sociedade e o certificado. Essas cerimônias são obrigatórias. Antes de janeiro de 2004, todo o processo transcorria pelos correios. Nessa época, o governo enfatizou que o objetivo não era de forma alguma dificultar o processo de naturalização.

No entanto, desde que testes de inglês foram implantados como pré-requisito para requerimento de cidadania britânica, o número de aplicantes caiu em 8%, segundo dados do Home Office. Aqueles que não passarem no teste, contudo, continuarão com os seus vistos de residência por período indefinido. A prova pode ser feita novamente até que o sucesso seja alcançado, mas claro, não será de graça: a pessoa terá que pagar £40 a cada tentativa, incluindo a primeira.

Britishness ou Britishless?

O conceito de Grã-Bretanha foi fundado em 1707, com o Ato de União, que tornou a Inglaterra e a Escócia um só país. Ou seja, estamos há dois anos dos 300º aniversário da idéia de “Britishness”. No entanto, para uma nação que já nasceu multicultural por ter sofrido inúmeras invasões (dentre outras, por parte dos romanos, saxões, franceses e vikings) e que seguiu construindo seu império invadindo a África e a Índia, além de outras regiões, definir “Britishness” é um desafio imenso.

OS valores culturais de cada um desses povos, mesclados com os outras culturas que habitam o solo britânico atualmente, são inegavelmente parte intríseca da cultura local da Grã-Bretanha moderna .

As críticas vão além a idéia do que pode ser considerado britanismo. Ao tentar “ensinar” história aos futuros cidadãos britânicos, por exemplo, os autores de “Life in the United Kingdom: A Journey to Citizenship”, um documento de 146 páginas elaborado pelo governo em 2003 e que servirá de base para os testes, deixaram de fora fatos reais que fazem parte da história e que foram “esquecidos”, como as brutalidades do colonialismo e o tráfico de escravos comandados pela Inglaterra. Idealizando o conceito do que é Britshiness e apropriando a história, os autores perderam uma grande chance de equipar os novos cidadãos com conhecimento histórico que eles precisam para o verdadeiro entendimento dessa terra.

Aprendendo a ser British

As mudanças serão válidas para todos os que desejam obter a cidadania Britânica a partir de 1° de novembro, em cumprimento ao que está disposto no Nationality Immigration Act 2002, que diz que os requerentes à cidadania devem demonstrar habilidade de se comunicar em inglês e demonstrar conhecimento sobre a cultura britânica. O governo vai analisar essas duas habilidades através de dois métodos principais:

Quem já fala inglês pelo menos em nível intermediário, correspondente ao nível 3 do (English for Speakers of Other Languages), vai poder arriscar o teste de conhecimento sobre a vida no Reino Unido, o chamado Citizenship Test. Com cerca de 24 questões tiradas do livro “Life in the United Kingdom: A Journey to Citizenship”, o teste será administrado pela empresa Ufi Ltd e poderá ser feito através de computadores em vários centros de aprendizado espalhado pelo Reino Unido. O teste terá versões variadas, portanto não adianta tentar “pescar” de alguém que já tenha feito. Não será necessária uma prova de inglês separada, já que para entender as questões, o inglês do futuro cidadão deve estar no nível requerido.

Para quem tiver nível de inglês abaixo do esperado, vai ter que completar um curso de ESOL-with-citizenship, cujas aulas serão uma mistura de curso de inglês e cidadania, com material especialmente preparado para atender às novas exigências. Completando o curso de maneira satisfatória, não será necessário que a pessoa faça o teste de inglês ou cidadania; isso deve beneficiar aqueles que têm acesso à educação básica gratuita, como refugiados e asilados, e também pessoas com ‘indefinite leave to remain” estampado no passaporte. Para quem não tem acesso aos cursos promovidos pelo National Institute of Adult Continuing Education, um bom curso de inglês e a leitura do livro são altamente recomendáveis – mesmo que não se aceite a versão da história da Grã-Bretanha contida na publicação.


Outras exigências

1) Não basta ter o inglês na ponta a língua e saber mais da cultura britânica do que a própria rainha. Você tem que estar qualificado a pedir a cidadania britânica de acordo com as leis de imigração para ter a chance.

2) Caso você tenha direito a aplicar para a cidadania mas não seja fluente na língua inglesa, os testes também estarão disponíveis em galês ou celta, as duas línguas oficiais do Reino Unido.

3) Caso todas as exigências acima sejam preenchidas satisfatóriamente, você ainda precisa ter mais de 18 anos, estar em condições mentais de decidir e ter bom caráter para “clamar” direito à cidadania britânica!

Mais informações sobre imigração, entre em contato com o OiLondres:
UK: 00 44 (0) 2074825004/4893
Brasil: 00 55 11 32855523

 


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