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Barrados no Baile
Brasileiros sofrem com controle da Imigração, quando chegam ao Reino Unido
Viajar para a Inglaterra, por qualquer motivo que seja, é um sonho para muita gente. Esse sonho, no entanto, inclui um pesadelo: o desembarque. Passar pelo setor de imigração de aeroportos ou estações de trem é um verdadeiro teste de frieza para o viajante. Infelizmente, muitos deles acabam não conseguindo a permissão para entrar no Reino Unido. Por que isso acontece?

O controle de imigração é maior na Inglaterra do que na maioria dos países da Europa pela atratividade que o país oferece a imigrantes ilegais em potencial. Trata-se de uma nação em alto grau de desenvolvimento, com moeda supervalorizada e um ambiente de pleno emprego. Principalmente no que se refere a esse último item, isso é algo que não se encontra, atualmente, em países como a França ou a Itália.
Priscila

Mas por que será que as pessoas são barradas na imigração? Qual o grande erro que elas cometem? “Eu levava quilos e quilos de roupa, muitos sapatos, documentos para tentar tirar o passaporte italiano, agenda cheia de cartões de contato. Quando viram tudo isso, quase que eu tive que dormir na salinha dos deportados, no aeroporto”, conta Priscila de Paula, que foi para a Inglaterra em 1999, com 25 anos. Essa idade é considerada perigosa, por ser a típica faixa etária de imigrantes ilegais. Priscila tinha o sonho de viajar pela Europa com uma mochila nas costas, fazendo bicos por onde passasse. Mas, mal orientada, não sabia que qualquer tipo de contato que levasse poderia pôr em risco sua viagem e todo o seu investimento.

Outro problema foi a falta de confirmação de matrícula por parte da escola onde iria estudar: “Devido a um erro, a faculdade atrasou o processo de envio. Saí antes de o comprovante de matrícula chegar. Enfim, fui com a cara e com a mais arrogante coragem”, conta ela. Mesmo falando inglês fluentemente (o que costuma ajudar diante dos oficiais de imigração), Priscila foi barrada. Ainda pôde passar a noite na casa da sua amiga, onde iria se hospedar. “Peguei o metrô, observei de perto o que via nos filmes. Senti o cheiro, ouvi tudo com atenção, passei frio, falei no famoso telefone público, tudo com muita tristeza.

Eu não realizei o velho sonho de ir de mochila para a Europa. Não tem problema. Foi uma bela lição de humildade, um tapa na cara pra ver se ficava mais esperta. Acho que adiantou. Custou caro, though!”, conta Priscila, que hoje trabalha com produção musical.

Au pair

Barbara

Em Paris e outras capitais européias, é comum a ida de brasileiros para trabalhar cuidando de crianças em casas de família, o chamado au pair. Na Inglaterra, porém, esse trabalho só é permitido para quem é da União Européia ou tem passaporte europeu. Bárbara Gernstein, desavisada, resolveu ir mesmo assim. Ela tinha 23 anos à época, em 2001: “Conheci uma família pela Internet e fui mantendo contato, me identificando cada vez mais com as crianças. Nem estava indo mais pela grana, e sim pela oportunidade de morar lá e conviver com outro tipo de cultura”.

A experiência no setor de imigração do aeroporto foi traumática: “Fiquei 10 horas na imigração, chorei muito. Estava com 4 malas e uma passagem pra 6 meses, com uns 500 dólares”. Para ela, foram o excesso de bagagem, longo tempo de estadia e pouco dinheiro no bolso que fizeram a diferença.

Bárbara revelou então aos oficiais seus planos de trabalhar como au pair. Ainda conseguiu permissão para ficar durante o fim de semana com a família que a iria receber, antes de retornar para o Brasil. “Foi muito gentil da parte deles”. Não se pode negar que, mesmo cumprindo seu nada simpático trabalho de barrar viajantes, os oficiais da imigração sempre tratam a todos com consideração e sem truculência.

Bárbara ainda tentou a sorte novamente, e dessa vez tudo ocorreu como o planejado. Depois de morar um ano na França, ficou mais um ano e meio na Inglaterra.

Controvérsia

Maria e família

Mas nem sempre os sérios funcionários do Home Office tomam decisões justificáveis. Viajantes que afirmam veementemente não pretenderem ser imigrantes ilegais são freqüentemente barrados. Foi o que aconteceu com Maria de Lourdes, 31 anos, gerente de vendas em Apucarana (PR). Ela pretendia passar seis meses estudando na Europa, este ano.

Ela viajava com o marido e a filha pequena. Na entrevista, tudo correu tranqüilamente, com a ajuda de uma intérprete. Ela iria estudar inglês e pretendia trabalhar para pagar o curso, o que seria legal, mediante a obtenção do visto apropriado. “O curso e o aluguel já estavam parcialmente pagos”, diz ela. Portanto, nada parecia atrapalhar. Até o fato de viajarem em família não é, por si, algo a se estranhar.

O problema, segundo ela, foram os rendimentos do casal no Brasil, considerados baixos pelo oficial da imigração. Mesmo com a filha doente e precisando de cuidados, eles foram mandados de volta para o país natal. Conseguir um remédio para a filha doente, segundo ela, também foi difícil e contribuiu para piorar o clima da situação. No entanto, ela afirma que não houve rudeza ou truculência por parte dos ingleses.

Hoje, Maria de Lourdes está com um recurso encaminhado no Consulado Britânico do Rio de Janeiro para ter reposto o investimento feito na viagem: “Ainda teríamos condições de bancar mais uma ida, mas isso significaria gastar tudo o que nos restou”, diz ela.

Mais um caso que nos leva a constatar, infelizmente, que apenas pessoas com bom padrão de vida, no Brasil, têm entrada garantida no Reino Unido.

 

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