BC
ou não
BC: eis a questão?
Paula Góes
Na hora de escolher a escola para
estudar inglês no Reino Unido,
uma das questões que mais atormentam
o brasileiro é pela escolha
por uma escola credenciada pelo British
Council ou uma outra que seja mais
barata. O órgão oficial
da educação britânica,
que comemora 70 anos neste ano, tem
mais de 80 escolas de inglês
credenciadas só em Londres,
que são fiscalizadas constantemente
para garantir que elas tenham o alto
padrão de qualidade exigido
pela instituição. Por
outro lado, existem outras milhares
de escolas que não estão
na lista do British Council que, por
preços muito mais em conta,
oferecem a mesma qualidade de ensino.
E também são aceitas
como instituições que
atendem satisfatoriamente os critérios
exigidos para entrada no Reino Unido
como estudante.
A lei diz que para ter direito a entrar
no Reino Unido, o estudante deve apresentar
quatro critérios básicos:
estar matriculado em uma instituição
reconhecida, para qualquer curso, desde
que cumpra um mínimo de 15 horas
de aulas por semana, no período
diurno, e possuir uma carta da instituição
confirmando a sua matrícula;
ter a passagem de ida e volta, com
a data de volta marcada; mostrar que
tem recursos financeiros para se sustentar
sem depender de ajuda do governo britânico,
o que pode ser feito através
da carta da entidade que está financiando
seus estudos e/ou os três últimos
extratos bancários, demonstrando
que você pode custear seu curso
e suas despesas pessoais e, finalmente,
mostrar intenção de deixar
o Reino Unido ao terminar seus estudos.
"O problema é que não
existe uma lista de instituições
reconhecidas pelo Home Office, o que
não significa necessariamente
que só as escolas credenciadas
pelo British Council têm entrada
garantida", afirma a advogada
Vitória Nabbas, especialista
em questões de imigração.
Ela diz, no entanto, que cada escola é responsável
pelo fornecimento dessa informação,
portanto conseguir um documento da
escola em que você está pensando
em estudar é uma boa idéia.
E mesmo para brasileiros matriculados
em escolas com o selo do British Council,
isso não é garantia de
visto, uma vez que se o estudante não
cumprir os demais critérios,
ele pode ser mandado de volta com a
carta de matrícula no bolso.
No fim das contas, tudo depende da
boa vontade do oficial da imigração
e de ele ir com a cara do sujeito.
Para Ricardo Dourado, que veio de São
Paulo no início de março,
passar pela barreira da imigração
não foi tão fácil.
Embora ele estivesse com toda a papelada
em mãos comprovando que ele
tinha curso pago na Edgware Academy
por um ano, 4 mil doláres e
mais mil libras no bolso, ele teve
que esperar mais de uma hora pelo visto. "Os
outros dois brasileiros que vieram
no vôo passaram direto, eles
só implicaram comigo e no final
acabei recebendo um visto de seis meses
sem direito a trabalho", conta
Ricardo. Tanto a Edgware quanto a Elite,
escola em que os outros companheiros
de vôo estavam matriculados,
não são escolas credenciadas
pelo British Council.
Já Douglas Rossetto, também
paulista, não teve que esperar
nem dez minutos pelo visto de estudante
quando chegou em Londres, em dezembro
passado. Ele também tinha um
ano de escola paga em uma instituição
que não é reconhecida,
a Lite Training, e com 3 mil doláres
no bolso, teria menos chances do que
Ricardo, se as regras que reinam no
balcão de imigração
fossem claras. "Não tive
problema nenhum, eles só fizeram
as perguntas de praxe e me deram um
visto de estudante por seis meses",
explica ele.
O Brasil é um "non-visa
country", o que significa que
qualquer cidadão brasileiro
que planeja viajar para o Reino Unido
a negócios, trabalho, turismo
ou para estudar não necessita
de visto prévio para entrar
no país. No entanto, desde 13
de novembro do ano passado, os estudantes
que desejam permanecer no Reino Unido
em curso de duração superior
a seis meses receberm apenas um carimbo
de entrada de seis meses. Quatro semanas
antes do vencimento deste carimbo,
o estudante deve obter uma extensão
da sua permanência no Reino Unido
pelo resto da duração
de seu curso, e, infelizmente, pagar
uma taxa para o Home Office (£ 155
pelo correio e £ 250 pessoalmente).
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