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Arte & Lazer

Vicente "Leros" Lou
Desbravador da comunidade brazuca em Londres

Yami Trequesser

Com certeza, em algum momento o nome Leros já cruzou o seu caminho. A revista, que nasceu como uma brincadeira, cresceu, tomou forma e ganhou fama. Agora, você vai ler a história de como tudo aconteceu contada por Vicente Lou, criador da revista.

“ Meu nome é Vicente Lou, natural de São Paulo, meu pai é Espanhol e por isso tenho dupla cidadania, mas quando cheguei aqui isso não ajudava muito porque a Espanha tinha acabado de entrar na Comunidade Européia e por isso os espanhóis não tinham direito de ficar ou trabalhar em Londres e eu recebia o mesmo visto que os brasileiros. No Brasil eu trabalhei em escritório, virei assistente de Departamento Pessoal, vendi anúncios para um jornal musical chamado "Canja", que era genial mas teve vida curta, e depois fui trabalhar como pesquisador de mercado.

Vim para a Espanha conhecer a minha avó e estiquei a viagem até Londres porque tinha o maior fascínio por bandas como The Clash, Sex Pistols e Stones e embora tenha chegado no final dos anos 80, quando quem estava por cima eram os The Smiths, The Cure, etc, Londres sempre me passou uma imagem de vanguarda. Foi o maior choque descobrir que ainda rolava a troca da guarda.

Vim para passar um tempo e sempre achei que iria embora no ano seguinte, mas acabei estudando Jornalismo, escrevi alguns artigos sobre Naná Vasconcelos e Gilberto Gil para revistas como "What's On" e "Time Out" e em 1991 lancei um folhetim chamado Leros, sem nunca imaginar a dimensão que a brincadeira iria atingir. Minha irmã (nossa super fotógrafa, Bernadete Lou, é minha irmã e não minha esposa, como muita gente pensa) também tinha se formado em jornalismo e quando veio para a Inglaterra adorou a idéia. O que era apenas uma brincadeira foi crescendo, crescendo e me absorvendo e de repente eu me vi assim como naquela música do Peninha que o Caetano gravou.

O início foi super difícil mas depois acabou virando um vício. A comunidade brasileira era totalmente invisível e ninguém punha fé em um veículo para uma comunidade até então "inexistente". Os únicos estabelecimentos existentes eram os restaurantes do Paulo, em Hammersmith, e o Papagaio, em Bayswater e só eu sei o que eu passei para convencer algumas agências de viagem a investirem no mercado anglo-brasileiro. Tinha também duas noites brasileiras, uma do Brazilian Contemporary Arts e outra chamada "Cantinho Brasileiro", organizada por Regina Webb, que hoje trabalha no marketing da Leros (quando eu vejo alguém legal e vou lá e crau) A tecnologia também não ajudava e produzir uma publicação custava dez vezes mais do que custa hoje.

Mas através da Leros cada um foi saindo da sua toca, as pessoas começaram a mostrar a cara, os serviços, o talento e assim a Leros cresceu, virou uma revista que hoje atinge leitores de 18 a 35 anos, das classes A, B, C e D, o que é raro para uma publicação, mas como a revista sempre foi gratuita e entrevistou desde figuras inéditas até Chico Buarque e sempre foi recheada com dicas fundamentais para sobreviver em Londres, acabamos conquistando uma legião de leitores extremamente diversificada. Estou sempre pensando em expandir a revista, o que geograficamente não pára de acontecer já que os brasileiros agora não se restrigem a Londres e conforme eles se espalham a revista vai atrás. Quanto ao editorial tenho altos planos, mas é tudo segredo, é sagrado, está sacramentado em meu coração. Não gosto de falar porque se não acaba não acontecendo.”

 

 

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