Nos muros daqui e de lá.
Waleska é uma das muitas artistas que começou a carreira no Brasil e veio mostrar a sua arte em Londres.
Quando muito se discute sobre o caráter do grafitti, alguns artistas acreditam que o muro é também uma forma de comunicação. Que a lata de spray é ferramenta tão artística quanto a tinta e o pincel, e que o muro pode ser uma tela para o mundo. Waleska Nomura é uma dessas artistas. Meio brasileira, meio japonesa, ela saiu do Brasil para mostrar sua arte em Londres. Batalhou bastante e hoje conseguiu o espaço e o reconhecimento artístico. Ela tem um objetivo bem claro: onde quer que esteja, pretende fazer as pessoas mais felizes através da arte e para isso criou projetos e continua a trabalhar para levar a sua arte mais próxima das pessoas.
Confira aqui uma entrevista que o OiLondres fez com a artista e descubra as diferenças entre atuar como artista aqui em Londres e no Brasil.
OiLondres- Como você iniciou sua carreira com o grafite? Conte um pouco sobre sua trajetória.
W- Eu comecei a pintar em São Paulo, e meu irmão, conhecido como Tinho foi um dos primeiros grafiteiros no Brasil e sempre fomos muito amigos, a gente ia para as mesmas festas e tinhamos os mesmos amigos. Daí, ele e um amigo-irmão, chamado Binho fizeram uma oficina de graffiti e eu também participei e, desde então, não consegui mais parar de pintar!
OiLondres- Existe um debate muito grande sobre o caráter artistico do grafite e a relacao com o vandalismo. Qual a sua opinião sobre esse assunto e como você caracteriza a arte do grafite?
W- Graffiti está relacionado com o vandalismo , mas hoje em dia as pessoas tem apreciado mais e vêem o Graffiti como uma forma de arte. Como o pincel, a lata de spray é mais um objeto de trabalho.
OiLondres - Artistas como Banksy, por exemplo, utilizam a arte urbana para passar informacoes engajadas, relacionando a arte com assuntos da atualidade, como a guerra, a fome, etc. Qual a sua posicao a esse respeito?
W- Com a minha arte, eu sempre tento deixar uma mensagem positiva adicionando cores e brilhos para os muros das cidades, tentando passar um pouco de alegria para quem quer que veja meu trabalho.
OiLondres . Conte um pouco sobre seu projeto" Spreading the love and positive energy to the world" . Ele está relacionado com a idéia de " melhorar o mundo" através da arte, trazer para arte assuntos da atualidade?
W- Quando eu comecei a fazer graffiti, comecei com as letras tradicionais, depois, comecei a desenvolver meus personagens e meu estilo e, por estar vivendo num mundo cheio de problemas, decidi criar esse projeto, com o qual tento fazer as pessoas mais felizes.
OiLondres - Sua obra traz diversas influências como a art naif, os cartoons japoneses. Quais são as principais influências na sua carreira e como você chegou a desenvolver o teu estilo artístico?
W- Eu nunca fui a uma escola de arte, nunca estudei arte, aprendi tudo
sozinha.

OiLondres - Como o trabalho de Adam Neate, seu marido e designer de marcas como a Prada, contribui para o seu trabalho?
W-A gente está sempre pintando juntos, então, um inspira o outro, quando um não quer pintar, o outro está inspiradíssimo pintando e daí, o outro se inspira a pintar também, por isso, estamos sempre pintando, mesmo tendo estilos totalmente diferentes, a gente se entende e usa o muro como uma outra forma de comunicação.
OiLondres - Você iniciou sua carreira de artista em Sao Paulo. Como você avalia as diferencas entre ser artista em Londres e no Brasil?
W- Para mim, por ser uma artista grafiteira acho que no Brasil é muito mais fácil e tem muito mais muros para pintar do que em Londres, e por pintar muito nas ruas, no Brasil o clima é melhor e o céu mais azul. Mas em Londres, tem mais oportunidades de mostrar meu trabalho nas galerias da Europa.
OiLondres - Aqui em Londres você consegue sobreviver da arte ou precisa ainda realizar outros trabalhos?
W- Como todo artista, é muito difícil de sobreviver com a arte, eu faço isso por amor. Mas é possivel viver com a arte.
OiLondres - Qual a tua principal inspiração artistica? O que você pretende com sua obra?
W- As minhas principais inspirações são a natureza e o amor. Eu pretendo continuar com o meu projeto "Espalhando amor e energia positiva ao mundo" e eu estou trabalhando num livro em que a história e ilustrações são minhas.
|