A
hora e a vez de Seu Jorge
Por Vivian Reis
Não foi fácil entrevistar o Seu Jorge. Mas tivemos sorte e acabamos esbarrando com ele na passagem de som para o show que ele fez no Royal Festival Hall, para um auditório lotado de brasileiros e ingleses.
Eu estava com o radialista João Lara, da rádio A-Brasil (107.7 FM) e fomos acompanhando Seu Jorge e sua equipe em direção ao palco onde os músicos e técnicos o esperavam para os ajustes finais antes do show. Conversamos um pouco e ele na maior simpatia falou que com certeza iria rolar a entrevista, que era só esperar um pouquinho e se quiséssemos poderíamos fazer alguma fotos durante a passagem de som. Acordo fechado! Para quebrar o gelo, João perguntou qual era a expectativa para o show e ele respondeu: "nenhuma!" E em forma de samba cantarolou que "para evitar frustações, melhor não criar expectativas", ainda mais sendo esse o seu primeiro show em Londres. Partimos então para o palco para a passagem de som.

Já na passagem deu para sentir que o clima estava quente e os tambores afiados para o show que logo iria começar. Durante a entrevista, Seu Jorge contou que começou sua carreira musical apenas aos 20 anos, apesar de seu pai ter sido músico e por já se interessar por música desde os 10 anos de idade. A infância pobre e difícil o levou para outros caminhos, sendo que somente depois do serviço militar ele pôde se dedicar ao seu violão. Isso aconteceu em 1990 e três anos depois ele ingressou no teatro. Em 1997, entrou para o Farofa Carioca. Nesse meio tempo continuou fazendo teatro. Mas em 2001 estourou quando lançou seu primeiro disco solo e participou do filme Cidade de Deus.

A carreira paralela no cinema tem ajudado na divulgação do seu trabalho como músico, mas foi o lançamento do filme "Life Aquatic", de Wes Anderson, que levou Seu Jorge e o seu último álbum, "Cru", para outras praças. Ele contou que o cd foi gravado com perspectiva de ser lançado na Europa, mas apenas na França, por onde Seu Jorge já estava enturmado com o Favela Chic de Paris. Ele diz que não esperava o sucesso em outros países da Europa. O fato de as pessoas aqui na Europa admirarem e se interessarem pela cultura brasileira também ajuda nesse aspecto.
Segundo ele, a forma como as gravações foram influenciaram muito no produto final. Tudo foi feito longe da pressão das grandes gravadoras e perto da natureza _ o disco foi feito no já extinto estudio Jardim Magnético, de Fabio Fonseca, em Itaipava na região serrana do Rio de Janeiro _ e muitas vezes as gravações eram interrompidas para que os músicos fossem tomar um banho de rio. Uma descontração e naturalidade que se percebe no disco, longe de rigores técnicos e muito perto da voz crua de Seu Jorge.
Seu Jorge comentou que se orgulha de ter composto uma música chamada "Brasis" em parceria com Wagner Moura. "Essa música fala do meu povo, do povo brasileiro", disse ele emocionado. "O Brasil é um país com grandes chances de se desenvolver e hoje isso é muito visível, apesar de o presidente Lula ter muita coisa para fazer em pouco tempo."
O papo informal no camarim estava ótimo, mas o tempo estava se esgotando, já que faltavam menos de 10 minutos para o show começar. Para encerrar, João perguntou sobre os projetos de Seu Jorge para o futuro. "O meu projeto para o futuro é cuidar das minhas filhas, o resto é trabalho!" Então fomos embora. Era hora de ele ir trabalhar.

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