Londres
Baratinha
Londres
subiu do décimo para o sexto lugar
no ranking das cidades mais caras do
mundo. Never mind. O OiLondres! desafia
a pesquisa e mostra que curtir a cidade
pode ser bom e barato!
Por Paula Góes
Londres é absurdamente cara,
reputação que não
há como negar. E, pelo que mostra
uma pesquisa divulgada recentemente
pelo Economist Intelligence Unit, a
coisa tá ficando ainda mais
preta: a cidade, que ocupava o décimo
lugar no ranking das capitais mais
caras do mundo, pulou para a sexta
colocação. A principal
razão para esse encarecimento
repentino, segundo os analistas, é a
queda do dólar. A notícia
poderia ser ainda pior: Londres só não
chegou mesmo no topo porque o euro,
por outro lado, se fortaleceu ainda
mais que a libra, encarecendo o custo
de vida em outras cidades da europa,
como Paris.
O estudo, que é feito a cada
dois anos, analisa o custo de vida
em 133 cidades do mundo inteiro, comparando
preços de produtos e serviços
que vão de carro a cigarro,
de tickets de cinema a valor de imóveis,
sendo que ao todo são analisados
130 itens. Para você ter uma
idéia, enquanto uma garrafa
de cerveja custa 78 pences de libra
em um supermercado de Londres, a mesma
bebida custa 63 pences em Nova York
e 99 pences em Tóquio. No Brasil,
onde uma garrafa das grandes gira em
torno de 20 pences, daria para ir além
de Bagdá por apenas uma libra!
Enquanto Londres fica cada vez mais
cara, Rio de Janeiro e São Paulo
ocupam, respectivamente, o 122° e
125°, as duas entre as 20 cidades
mais baratas dentre as que fizeram
parte da pesquisa. Mas como a gente
está do lado de cá e é isso
aqui que a gente quer curtir, o OiLondres!
resolveu desafiar a lei do mais caro
criando um pequeno guia de como aproveitar
Londres sem quebrar o bolso. O desafio?
Roteiro para um dia de muita diversão
completamente de graça. Claro
que a gente espera que, caso você queira
seguir à risca a dieta econômica
de não gastar um centavo, você leve
de casa lanche e bebidas para passar
o dia. E se não morar a uma
curta distância do centro, é necessário
um “one day bus pass” que
custa £2,50.
E continue acompanhando o site. Nas
próximas semanas, veja dicas
mais específicas de como estudar,
comer, morar, sair de noite e viajar – em
outras palavras, curtir Londres - por
um precinho bem menos salgado.
Manhã
Levante
cedo e, para aproveitar bem o dia,
nada melhor do que começar
esticando o esqueleto com uma caminhada
em um dos inúmeros – e
maravilhosos - parques de Londres.
Assim como as praias no Brasil, os
parques guardam o posto de maiores
atrações gratuitas dessa
cidade, reunindo londrinos e forasteiros
em busca de sombra e ar fresco. E,
paradoxalmente, é a melhor forma
de esquecer que Londres é essa
cidade suja, grande e cinza. Seja qual
for o parque que você escolha – o
mais perto de sua casa ou algum no
caminho do roteiro do dia – não
deixe de observar como a mudança
de clima já está deixando
eles com uma cara diferente. As árvores
começam a dar frutos, e o que
era verde no verão, já começa
a ficar marrom. No mais famoso de todos,
o Hyde Park, você encontra mais
de 340 acres e quase tudo que um parque
pode reunir – fontes d’água
e lagos, animais silvestres, boas áreas
para exercícios e vários
barzinhos e lanchonetes – ainda
que você não vá gastar
uma libra furada.
Por falar nisso, já que você vai
estar no parque, nada melhor que encerrar
a caminhada com um piquenique (claro
que a comida estará na sua mochila)
e entrar no clima para uma tarde de
música – essa sim, de
graça. São vários
os locais onde você pode ir para
assistir ‘lunchtime concerts’,
sem pagar nada. Com sorte, você pode
até esbarrar em uma pitada de
um espetáculo que normalmente
custa algumas libras nas casas de espetáculo
de Londres.
Tarde
Nada melhor que começar a tarde
com uma música leve. Se esse
roteiro for seguido durante a semana,
existem alguns pontos da cidade onde
você pode ir para curtir o que
eles chamam de “lunchtime concerts”,
ou seja, pequenos shows para enterter
as pessoas no horário de almoço.
Eles já fazem parte do dia a
dia de muita gente, especialmente de
quem trabalha nos arredores e vai lá em
busca de uma relaxada entre o estresse
da manhã e o recomeço
da jornada de trabalho à tarde.
Os concertos de St Martin-in-the-Fields,
por exemplo, acontecem há 50
anos e estão entre os mais populares
de todo o país. Reunindo cerce
de 300 pessoas por vês, eles
acontecem todas as segundas, terças
e sexta-feiras, sempre às 13h
(aliás, pontualmente ás
13h05) e sempre de graça, estreando
um repertório de alta qualidade
que apresenta vários estilos
e artistas. Às vezes rola até convidados
especiais de outras partes do mundo.
A igreja fica bem no Centro de Londres,
em Trafalgar Square, e assistir um
dos concertos que lá acontecem é uma
das melhores formas de se sentir integrado
com o dia-a-dia da cidade, seus momentos
de correria e de folga.
A London Symphony Orchestra (filial
de St Lukes) apresenta outro variado
programa musical ao meio-dia, com músicos
da própria orquestra acompanhados
de performances da escola de música
e drama Guildhall. Depois das performances,
normalmente os artistas falam sobre
a música, instrumentos e sobre
eles mesmos, o que rende uma boa aula
de inglês for free. Os concertos
também acontecem às 13h
e duram cerca de 45 minutos, e, como
o espaço é menor do que
a procura, quem chegar primeiro ganha
a entrada.
Já a Royal Opera House é o
local onde você deve ir para
assistir recitais, em concertos que
começam às 13h e não
dura mais que uma hora. E também
apresentam espetáculos de alta
qualidade, por zero libras. No entanto,
ingressos gratuitos são limitados
e você precisa reservar um a
partir das 10h da manhã do dia
do concerto. A maioria dos recitais
acontecem no Linbury Studio Theatre,
mas outros acontecem no Crush Room,
que é ainda bem menor.
Depois que a música acabar,
você pode continuar expandindo
seus horizontes em uma tarde cultural
sem gastar nada. Claro que estamos
falando dos museus, que em Londres
são mais de cem e que, maravilhosamente,
são em sua maioria de graça
nessa terra onde tanto se gasta. Existem
para todos os gostos, entre os mais
tradicionais, como o Museu de História
Natural e o Museu Britânico aos
mais alternativos, como o o Museu Nacional
da Arte do Cartoon - National Museum
of Cartoon Art, que fica bem perto
do Museu Britânico, em Russel
Square. O lugar tem uma fantástica
coleção, além
de biblioteca e até aulas de
cartonismo.
Também é incontável
o número de galerias de arte
em Londres, e as maiores têm
exibições abertas ao
público – é sempre
muito agradável passar uma tarde
na Tate Modern ou na National Portrait
Gallery. Mas existem outras opções,
se arte não é a sua praia.
O Barbican, por exemplo, apresenta
uma programação multicultural,
que inclui não apenas artes,
mas filme, música, teatro, programas
educacionais e embora nem todos sejam
de graça, uma boa quantidade é.
Cheque no site deles se existe algo
free no dia que você escolher.
Noite
Essa é a parte mais difícil
da tarefa – achar coisas interessantes
para fazer à noite sem gastar
nada, e talvez você precisa se
organizar um pouco para escolher a
data certa. Mas independentemente de
roteiro certo, sempre tem algo para
se fazer nem que seja observar como é bonita
a arquitetura da cidade quando a noite
cai. Se acontece de ser o segundo domingo
do ano, tem recital no Brave New World,
uma noite que apresenta os mais novos
e inovadores autores em poesia, ficção,
música e performance, todos
aptos a mostrar o que estão
produzindo de graça. Tudo começa às
19h.
Mas se você se organizar um
pouquinho, pode até pegar um
show de graça enquanto participa
da gravação de um programa
de TV. Basta entrar no site da TV Recordings,
escolher o show, imprimir um ingresso
e chegar lá o mais cedo possível
para garantir sua entrada. Tickets
para audiência também
são gratuitos através
do Stand Room, mas não há garantia
de que você vai conseguir um
ingresso.
Se você está se perguntando
se existe alguma chance de ver teatro
de graça, já que estamos
na terra de Shakespeare, a resposta é sim,
com certeza. Aliás, não
só teatro, mas uma série
de eventos culturais tem sido organizada
por um movimento cultural que visa
revitalizar a área ao redor
do Rio Tâmisa, o Pool of London.
As peças, em geral, acontecem
num teatro a céu aberto, onde
pérolas do teatro clássico
entram em cena todas as quintas e domingos.
Além de teatro, exibições
de fotografia, concertos de música
e até workshop de culinária
estão dentre as atrações
gratuitas deste setembro. Basta checar
o site!
Por falar em site, anota um aí nos
seus favoritos: o London Free List
apresenta centenas de sugestões
de coisas para se fazer na capital
da Inglaterra senão de graça,
por menos de 3 libras. Quer melhor
forma de curtir Londres por menos???
| Top 10 |
Mais
caras cidades do mundo segundo
pesquisa do Economist Intelligence
Unit |
| 1° |
Tokyo |
| 2° |
Osaka Kobe |
| 3° |
Paris |
| 4° |
Oslo |
| 5° |
Copenhagen |
| 6° |
London |
| 7° |
Zurich |
| 8° |
Reykjavik |
| 9° |
Geneva |
| 10° |
Vienna |
| 122° |
Rio de Janeiro |
| 125° |
São
Paulo |
Endereços:
St. Martin-in-the-Fields
Trafalgar Square, WC2
(020) 7839 8362
www.stmartin-in-the-fields.org
Royal Opera House
Covent Garden, WC2
(020) 7304 4000
www.royalopera.org/
London Symphony Orchestra
LSO St Luke's
161 Old Street
London EC1V 9NG
(metrô: Old Street - saída
7)
www.lso.co.uk/home/
Barbican
Silk Street, EC2Y
(020) 7638 8891
www.barbican.org.uk
National Museum of Cartoon Art
7 Brunswick Centre Bernard Street,
London - WC1.
(020) 7278 7172.
Brave New Word
The Old Queens Head, 44 Essex Road,
Islington
(020) 7354 9273
TV recordings
www.tvrecordings.com
Stand Room
www.standroom.com
Pool of London
www.pooloflondon.co.uk/
LondonFreeList
www.londonfreelist.com/home.asp
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