Ayuco
Shimada, uma japonesa apaixonada pela
música Brasileira
Por Daiene
Cardoso
Tocar música brasileira já não é mais
domínio exclusivo das bandas
genuinamente brasileiras nos bares
de Londres. A Música Popular
Brasileira (MPB) é tão
famosa no mundo que tem até japonês “arranhando” um
português e fazendo bonito nos
palcos londrinos, sem dever para nenhum
brasileiro. O resultado da fusão
cultural é tão interessante
que agrada tanto brasileiros quanto
japoneses.
Apaixonada desde os 18 anos pela
música brasileira, a cantora
de Tokyo, Japão, Ayuco Shimada,
28 anos, montou uma banda que tem um
repertório praticamente 100%
de MPB. A cantora não fala português,
mas sua voz e sua pronúncia
são tão boas que é difícil
perceber qualquer diferença. “Eu
adoro as músicas brasileiras.
Infelizmente, eu não entendo
todas as letras, só entendo
o significado. Português na minha
opinião é o idioma mais
bonito do mundo, eu gosto do som da
língua, soa como música”,
diz Ayuco. A cantora é formada
em música clássica mas
diz que não gosta do estilo. “Eu
comecei cantando jazz e depois optei
por música brasileira”,
conta a cantora, fã declarada
de Marisa Monte, Jorge Benjor e Joao
Gilberto.
Há cinco meses, Ayuco juntou
o namorado percussionista japonês,
um amigo flautista inglês e outro
italiano que toca violão para
formar a banda Londoners. Ninguem fala
português no grupo. Todos adoram
MPB e até as músicas
que não são brasileiras
ganham um “arranjo” brasileiro.
O repertório da banda inclui
Elis Regina, Tom Jobim e Vinícius
de Moraes, até Edu Lobo. Ayuco
também tem outra banda, Ayuco & Bossa
Londres, grupo composto por 7 músicos,
apenas um deles brasileiro.
Mistura Única
Idealizada pelo multi-instrumentista
e compositor Marcelo Andrade, de 35
anos, e pela cantora e letrista Hiroko
Yamamoto, de 33 anos, a banda Ohayo
Samba, tem levado para os bares de
Londres a fusão musical Brasil-Japão.
A banda, formada em dezembro do ano
passado, toca músicas compostas
pelo brasileiro no estilo MPB. No entanto,
quem assiste ao show da banda se dá conta
no palco de que as letras não
são cantadas em português,
mas sim em japones. “Brasileiros
acham um pouco chocante, estranho no
início. Alguns japoneses gostam
porque algumas pessoas fazem isso no
Japão”, conta Hiroko.
A dupla se conheceu em 2003, mas
só em 2004 Marcelo comecou a
compor as músicas e Hiroko,
que é pianista, criava as letras
em japonês. Logo de início
foram feitas 7 músicas, embora
a dupla não tivesse nenhum plano
de formar uma banda. A maior parte
das músicas trazem letras românticas,
mas a maioria das músicas são
cantadas em japonês. Outras são
cantadas por Marcelo em português
(embora ele também cante em
japonês). “Todas as músicas
tem uma mensagem. Embora a cultura
japonesa seja diferente da cultura
brasileira, nós dividimos muitas
coisas em comum, sentimentos que são
universais”, explica Marcelo.
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